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Conjuntura mundial e exportação
05/08/2008

No mês de julho, o Brasil colheu diversos recordes no comércio externo: na exportação, com US$ 20,543 bilhões; na importação, com US$ 17,149 bilhões; e, se excluirmos o saldo de maio, de US$ 4,0 bilhões - deturpado pelo fim da greve dos fiscais da Fazenda -, o de julho, de US$ 3,304 bilhões, foi o maior. Assim, a balança comercial, apesar de uma taxa cambial desfavorável, marcou, em julho, uma mudança nas relações comerciais externas, com o início do processo de redução do preço do petróleo e de algumas commodities.

Como julho teve dois dias úteis menos que junho, é preciso comparar os resultados por dias úteis, verificando-se redução de 5,0% na exportação de produtos manufaturados, ante um aumento de 0,8% em junho; um aumento de 0,1% dos produtos básicos, ante uma queda de 13,6% no mês anterior; e um aumento de 23,7% dos bens semimanufaturados, ante queda de 19,9%. É muito difícil tirar conclusões com base num único mês, mas, certamente, não temos um quadro em que as exportações denotem sinais de uma redução da atividade econômica nos países industrializados. Uma taxa cambial excessivamente valorizada teve efeito maior sobre as exportações.

Aliás, examinando as exportações por países, registra-se um crescimento de 6,7% para a União Européia, de 37,7% para a China, e reduções para a Argentina (-0,4%), para os EUA (-0,5%) e para a Europa Oriental (-12,2%).

As importações refletem melhor os efeitos da ligeira queda do preço do petróleo - gastamos 10,3% menos nas compras de combustíveis e lubrificantes em relação a junho, enquanto a valorização do real favorecia um crescimento de 6,3% das importações de bens de capital e de 27,4% de automóveis; já as importações de matérias-primas e de bens intermediários cresceram apenas 0,7%.

É possível que nos próximos meses a evolução dos preços e também a nova valorização do real possam se fazer sentir, devendo-se levar em conta o fator tempo, que é mais sensível no caso das importações.

Analisando os maiores clientes do Brasil, em julho, em comparação com junho, verifica-se um superávit comercial que se deve predominantemente às exportações de commodities: União Européia (US$ 1,168 bilhão); Argentina (US$ 662 milhões); China (US$ 586 milhões) e EUA (US$ 501 milhões). A queda dos preços das commodities e a taxa cambial poderão reduzir esses resultados.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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