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Estados Unidos agora exigem acordos setoriais obrigatórios
24/07/2008

A negociação de produtos industriais estava mais complicada do que na área agrícola, esta madrugada, na Organização Mundial do Comércio (OMC), diante das pressões sobre o Brasil e outros emergentes para abrir seus mercados. Os EUA, depois de terem feito uma oferta sem efeito prático para cortar subsídios agrícolas, cobraram a contrapartida exigindo do Brasil e outros emergentes que aceitem acordos setoriais obrigatórios, o que parece fora de questão.

Em contrapartida, Washington admitia para o Mercosul proteger 13% de suas linhas tarifárias indústrias, 1 ponto percentual a mais do que no dia anterior, mas bem abaixo dos 16% que deseja a Argentina. Os EUA e a UE "pegaram pesado", enquanto o Brasil refletia também a posição da Argentina, país particularmente isolado pela resistência a fazer concessões industriais.

Entidades sindicais, reunidas em Genebra, pediram para o Brasil nao aceitar corte de 61% nas tarifas (coeficiente 19), o percentual mais ambicioso na negociação, alegando que isso faria o desemprego aumentar. O ministro Celso Amorim voltou à OMC à 1 hora desta manhã para continuar as negociações. Normalmente pródigo em dar entrevistas, desta vez precisou até de segurança para abrir caminho entre os jornalistas.

Enquanto os EUA insistem em acordos setoriais agora na prática obrigatórios, a UE insistia numa cláusula anticoncentração pela qual os emergentes não poderiam proteger todo um setor de amplos cortes tarifários. "É uma coisa maluca como estão pedindo", reagiu um negociador.

O mais visado é o setor automotivo, de especial interesse dos europeus. A Anfavea enviou uma delegação a Genebra e alertou negociadores do Itamaraty de que um acordo ambicioso na área industrial na Rodada Doha causará perdas na capacidade das companhias atraírem investimentos.

A Anfavea argumenta que, se o Brasil aceitar um corte significativo de tarifas de importação, o crescimento das importações terá conseqüências negativas sobre a competitividade do setor automotivo no país e poderá haver revisão dos planos de investimento. A preocupação é também com os novos competidores da Ásia, principalmente China e Índia. "Dependendo do corte das tarifas de importação, ele pode colocar em risco os investimentos e o parque produtivo que já está instalado no país e demorou décadas para ser construído", disse Jackson Schneider, presidente da Anfavea, em São Paulo.

Fonte: Valor Econômico

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